Broinha de fubá e uma saudade

Férias, quando eu era criança, duravam uma eternidade. No interior de Minas, então, onde minha avó mora, um dia rendia que só. A sensação era de o tempo ter parado. A cada 15 minutos, porém, o sino da igreja contava as horas para a gente. Às 11 badaladas, o almoço já estava na mesa. A couve picada bem fininha e o angu virado num prato daqueles de vidro amarelo são inesquecíveis. Aliás, minhas memórias afetivas da infância sempre envolvem comida.
Depois do almoço, era hora de brincar com os primos. Às 14h, já tinha dado tempo de colocar a casa da vóvis de pernas para o ar. O melhor, porém, ainda estava por vir. Mais umas três badaladas do sino, um pouco antes do “vai tomar banho que a água da serpentina já está quente” — a hora mais temida do dia, com certeza —, vinha o chamado doce da minha avó. É hora do café.
Ao contrário do chamado para o banho, esse a gente atendia correndo, literalmente. Eu contava os minutos para me esbaldar naquela mesa farta. Biscoitos de polvilho, que, parecendo tesouro, ficavam guardados numa lata enorme; rosquinhas de sal amoníaco, que, mergulhadas numa xícara de café com leite, desmanchavam na boca; broinhas de fubá com erva-doce, bem douradinhas, fofas por fora e ocas por dentro, esconderijo perfeito para uma fatia do queijo fresco da fazenda da minha tia-avó. Eu adorava tudo, mas é a broinha que até hoje me faz voltar à infância. Fecho os olhos e vejo a cena: minha avó misturando ovos, leite e fubá de canjica numa linda tigela de louça, boleando as broinhas numa xícara de chá, espiando o tabuleiro no forno. Amor dosado sem medidas em cada etapa.
Bons tempos aqueles. Os tempos agora são outros. Os dias passam voando, as curtas férias que passo lá no interior com a minha avó não são suficientes para matar a saudade. Quando ela aperta, vou logo para a cozinha. Como minha avó, cozinhar é a minha linguagem do amor. Preparo, então, a receita que ela me ensinou da broinha. Misturo ovos, leite e fubá naquela mesma tigela que ela usava (esta da foto), boleio as broinhas numa xícara como antigamente e, enquanto assam, fico ali vigiando o forno. Tudo se repete décadas depois. Mas agora sou eu que cozinho, de alguma forma, para ela. O tempo para de novo quando o cheiro da erva-doce invade a casa. É hora de passar um café e voltar, como num passe de mágica, lá para as Minas Gerais da minha infância. Uma só mordida e, pronto, estou de novo dentro do abraço da vóvis. O tempo me ensinou que melhor lugar não há.

Rendimento1 Porção
Tempo de preparo10 minsTempo de cozimento40 minsTempo total50 mins

 4 ovos
 240 ml leite
 3 Cl. Sopa açúcar
 120 ml óleo
 2 Cl. Chá erva-doce
 3 Cl. Sopa fubá de canjica (e mais para dar o ponto)
 ½ Cl. Chá sal

1

Preaqueça o forno a 220 °C (alto).
Prepare uma assadeira grande, polvilhada com um pouco de fubá.
No liquidificador bata os ovos, o óleo, o açúcar, o sal, o leite e 3 colheres (sopa) de fubá de canjica até a massa ficar lisa.
Despeje a massa numa tigela funda e junte a erva-doce e o restante do fubá aos poucos, até dar o ponto. A masa fica mais mole, pastosa, de forma que não dá para enrolar as broinhas na mão.
Polvilhe uma xícara de chá com fubá, coloque uma colher (sopa) cheia de massa e vá boleando, mexendo a xícara para formar as broinhas.
Passe as broinhas da xícara direto para a assadeira. Deixe espaço entre elas.
Leve-as para assar em forno alto preaquecido por 15 minutos, até começarem a crescer.
Diminua, então, a temperatura do forno para 160 °C e deixe assar por cerca de 25 minutos. É isso que faz com que as broinhas cresçam e fiquem ocas por dentro.
Depois que crescerem bem, pode aumentar de novo a temperatura do forno só para elas dourarem.

Ingredientes

 4 ovos
 240 ml leite
 3 Cl. Sopa açúcar
 120 ml óleo
 2 Cl. Chá erva-doce
 3 Cl. Sopa fubá de canjica (e mais para dar o ponto)
 ½ Cl. Chá sal

Instruções

1

Preaqueça o forno a 220 °C (alto).
Prepare uma assadeira grande, polvilhada com um pouco de fubá.
No liquidificador bata os ovos, o óleo, o açúcar, o sal, o leite e 3 colheres (sopa) de fubá de canjica até a massa ficar lisa.
Despeje a massa numa tigela funda e junte a erva-doce e o restante do fubá aos poucos, até dar o ponto. A masa fica mais mole, pastosa, de forma que não dá para enrolar as broinhas na mão.
Polvilhe uma xícara de chá com fubá, coloque uma colher (sopa) cheia de massa e vá boleando, mexendo a xícara para formar as broinhas.
Passe as broinhas da xícara direto para a assadeira. Deixe espaço entre elas.
Leve-as para assar em forno alto preaquecido por 15 minutos, até começarem a crescer.
Diminua, então, a temperatura do forno para 160 °C e deixe assar por cerca de 25 minutos. É isso que faz com que as broinhas cresçam e fiquem ocas por dentro.
Depois que crescerem bem, pode aumentar de novo a temperatura do forno só para elas dourarem.

Broinha de fubá e uma saudade
2018-12-02T08:44:07+00:00 02.12.2018|